terça-feira, 21 de março de 2017

Quem tem medo de artista?

Artistas são seres políticos. Pergunte aos gregos, a Shakespeare, a Brecht, a Ibsen, a Shaw e companhia -todos lhe dirão para não estranhar a participação de artistas na política.
A natureza da arte é política pura. Numa democracia saudável, artistas são parte fundamental de qualquer debate. No Brasil de Michel Temer, são considerados vagabundos, vendidos, hipócritas, desprezíveis ladrões da Lei Rouanet.
Diante de tamanha estupidez, fico pensando: por que esses caras têm tanto medo de artistas, a ponto de ainda precisarem desqualificá-los dessa maneira?
Faz um tempo, dei muita risada ao ver uma dessas pessoas, que se referia com agressividade a um texto meu, dizer que todo bom ator é sempre burro, pois sendo muito consciente de si próprio ele não conseguiria "entrar no personagem".
Talvez essa extraordinária tese se aplicasse bem a Ronald Reagan, rematado canastrão e deus maior da direita "let's make it great again". De minha parte, digo que algumas das pessoas mais brilhantes que conheci são artistas.
Esse medo manifestado pelo status quo já fez com que, ao longo da história, artistas fossem censurados, torturados e assassinados. Os gulags de Stálin estavam cheios de artistas; o macarthismo em Hollywood também destruiu a vida de muitos outros. A galera incomoda.
Uma apresentadora de TV fez recentemente sua própria lista de atores a serem proscritos. Usou uma frase atribuída a Kevin Spacey, possivelmente dita no contexto de seu papel de presidente dos EUA na série "House of Cards".
A frase era a seguinte: "a opinião de um artista não vale merda nenhuma". Certo. Vale a opinião de quem mesmo? Invariavelmente essas pessoas utilizam o chamado argumento "ad hominem" para desqualificar os que discordam de suas opiniões.
É a clássica falácia sofista: eu não consigo destruir o que você pensa, portanto tento destruir você pessoalmente. Um estratagema ignóbil, mas muito eficaz, de fácil impacto retórico. Mais triste ainda tem sido ver a criminalização da cultura e de seus mecanismos de fomento, cruciais para o desenvolvimento do país.
Aliás, todos os projetos sérios de Brasil partiram de uma perspectiva histórico-cultural, como os de Darcy Ribeiro, Caio Prado Jr., Sérgio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre.
Ver o ministro da Cultura dando um ataque diante do discurso de Raduan Nassar só faz pensar que há algo mesmo de podre no castelo do conde Drácula. Mesmo acostumado a esse tipo de hostilidade, causou-me espanto saber que o ataque, na semana passada, partiu de uma peça publicitária oficial da Republica Federativa do Brasil.
Sempre estive em sintonia com a causa do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto); fiz com eles um vídeo que tentava explicitar o absurdo dessa proposta de reforma da Previdência.
O governo ficou incomodado e lançou outro vídeo, feito com dinheiro público, no qual me chama de mentiroso e diz que eu fui "contratado" -ou seja, que recebi dinheiro dos sem-teto brasileiros para dar minha opinião.
O vídeo é tão sem noção que acabou suspenso, assim como toda a campanha publicitária do governo em defesa da reforma da Previdência, pela Justiça do Rio Grande do Sul.
Um governo atacar com mentiras um artista, em propaganda oficial, é, até onde sei, inédito na história, considerando inclusive o período da ditadura militar.
Mas o melhor é o seguinte: o vídeo do presidente não conseguiu desmontar nenhum dos pontos levantados pelo MTST.
O ex-senador José Aníbal (PSDB) escreveu artigo em que me chama de fanfarrão e diz que a reforma só quer "combater privilégios". Devo entender, então, que o senhor e demais políticos serão também atingidos pela reforma e abrirão mão de seus muitos privilégios em prol desse combate? E o fanfarrão ainda sou eu?
Se o governo enfrentasse a sonegação das empresas, as isenções tributárias descabidas e não fosse vassalo dos credores da dívida pública, poderíamos discutir melhor o que alardeiam como rombo da Previdência.
Mas eles não querem discutir nada, nem mesmo as mudanças demográficas, um debate válido. O governo quer é votar logo a reforma, acalmar os credores, passar a conta para o trabalhador e partir para a reforma trabalhista antes que o povo se dê conta.
Tenho uma má notícia: no último dia 15, havia mais de um milhão de pessoas nas ruas do país. Parece que não é só dos artistas que eles deverão ter medo.
WAGNER MOURA é ator. Protagonizou os filmes "Tropa de Elite" (2007) e "Tropa de Elite 2" (2010). Foi indicado ao prêmio Globo de Ouro, no ano passado, pela série "Narcos" (Netflix) 


quarta-feira, 15 de março de 2017

Nota de Esclarecimento

Nota de Esclarecimento:

Wagner Moura esclarece que diferentemente do que foi dito no vídeo publicado pelo governo federal em suas redes sociais no dia 14 de março, ele não foi contratado pelo MTST para vídeo contra a proposta de reforma da previdência.
Wagner participou voluntariamente da mobilização, pois ao contrário do que diz o vídeo do governo, acredita que essa reforma representa mais um enorme prejuízo aos direitos dos trabalhadores brasileiros.




segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Wagner Moura, José Luiz Villamarim e Emília Silveira participam de evento gratuito na Academia Internacional de Cinema no Rio

Entre os dias 14 e 16 de fevereiro a Academia Internacional de Cinema (AIC) realiza mais uma edição da Semana de Orientação. Esse ano a programação conta com a exibição de filmes ainda inéditos no circuito comercial e bate-papo com grandes nomes do cinema brasileiro. O evento é aberto e gratuito e acontece nas duas unidades: São Paulo e Rio de Janeiro.



Rio de Janeiro, Botafogo
José Luiz Villamarim
Diretor das novelas “Avenida Brasil” e “O Rebu”, das séries “O Canto da Sereia”, “Amores Roubados”, “Nada Será Como Antes” e “Justiça” e do filme “Redemoinho” (prêmio especial do júri no festival do Rio 2016)
Terça, 14 de fevereiro de 2017
17h30: Exibição de “Redemoinho” (OBS: estreia dia 9 de fevereiro nos cinemas)
19h30: Bate-Papo com com o diretor
Emília Silveira
Roteirista e documentarista, dirigiu “Setenta”, “Galeria F” e “Silêncio no Estúdio”, atuou por mais de 20 anos na TV Globo e dirigiu programas como “Criança Esperança” e “Show da Virada”
Terça, 15 de fevereiro de 2017
17h30: Exibição do documentário “Galeria F” (inédito nos cinemas)
19h30: Bate-Papo com a diretora
Wagner Moura
Atuou em “Abril Despedaçado” (2002), de Walter Salles, “Tropa de Elite ” (2007) e “Tropa de Elite 2” (2010), de José Padilha, “Praia do Futuro” (2014), de Karim Aïnouz e viveu Pablo Escobar em “Narcos”, série do Netflix
Quarta, 16 de fevereiro de 2017
17h30: Exibição do filme “Cidade Baixa” do diretor Sergio Machado
19h30: Bate-Papo com o ator
São Paulo
Marina Person
Diretora, apresentadora de TV e atriz. Dirigiu o documentário “Person” (estreia mundial no Festival de Cinema de Locarno – Suíça) e o longa “Califórnia”
Terça, 14 de fevereiro de 2017
17h30: Exibição do filme “Califórnia”
19h30: Bate-Papo com a diretora
Beto Brant
Diretor, produtor e roteirista. Dirigiu “Os Matadores” (1997 – prêmio de crítica em Gramado), “Os Invasores” (2002 – prêmio de melhor filme latino-americano em Sundance, melhor direção em Brasília e selecionado para o Festival de Berlim)
Quarta, 15 de fevereiro de 2017
17h30: Exibição do documentário “Pitanga” (inédito nos cinemas)
19h30: Bate-Papo com o diretor
Marçal Aquino
Escritor, jornalista e roteirista de cinema e televisão. Roteirista dos premiados “Os Matadores”, “O Invasor” e “O Cheiro do Ralo”.
Quinta, 16 de fevereiro de 2017
17h30: Exibição de “O Invasor” do diretor Beto Brant
19h30: Bate-Papo com o roteirista
Semana de Orientação na Academia Internacional de Cinema, de 14 a 16 de fevereiro.
Exibição dos filmes às 17h:30 e bate papo com convidados às 19h:30 – Entrada franca, lugares limitados, pré-inscrição no site da AIC ou por telefone.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Feliz 2017

Para todos que acompanham nosso Blog, e nosso trabalho de divulgação, desejamos um feliz 2017!

Paula Andréia


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Em vídeo, Wagner Moura e Duvivier fazem campanha contra repressão a drogas

"Você não precisa usar nem aprovar o uso de drogas para entender que a política de repressão não funcionou", diz o ator Wagner Moura, um dos famosos que participam da campanha "Da Proibição Nasce o Tráfico".
A ele se juntam atores como Leandra Leal e Gregorio Duvivier lembrando as consequências dessa política para a sociedade como um todo. "O Brasil é campeão mundial de homicídios. Hoje, nós temos a polícia que mais morre e mais mata no mundo", diz Gregorio.
O vídeo, idealizado pelo CESEC – Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Candido Mendes, conta ainda com um grupo de jornalistas, policiais militares, cientistas e ativistas. A campanha existe desde 2015 e também conta com o trabalho de vários cartunistas como Laerte, Angeli e André Dahmer, cujos trabalhos estamparam traseiras de ônibus. 
"Por uma coincidência terrível, nosso vídeo vem à tona justamente no momento em que o Rio de Janeiro vive um aumento agudo e intenso dessa trágica guerra às drogas. O vídeo é essencial para lembrar que os danos causados pela política de guerra às drogas superam, em muito, os danos provocados pelo eventual uso abusivo de qualquer droga", observa a socióloga Julita Lemgruber, diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania. 


Fonte: Uol

domingo, 27 de novembro de 2016

Fábio Assunção participará hoje de peça que tem Wagner Moura na direção

Wagner Moura, 40 anos, dirigirá hoje, no Auditório Ibirapuera, em SP, uma leitura da peça inédita “Tchau, querida”, de Ana Maria Gonçalves.
E Fábio Assunção, 45, topou o convite do amigo para participar. Que dupla!



Fonte: O Globo